amadores
Há amadorismo em tudo. Quem nunca se perguntou qual seria sua reação num assalto? Pois o nosso sujeito matutava tanto que um dia entraram na sua casa. Não foi nada engraçado. Ele e sua família lá, agoniados, e ele finalmente conhecendo suas reações a um assalto. Começou com os dois estranhos invadindo a sala com o sujeito ali, vendo futebol. Mandaram ele chamar a mulher e a filha, que estavam lá no quarto, vendo umas roupas para alguma ocasião inesperada. Foi ele lá, com a tarefa mais difícil da sua vida, avisar às duas do assalto. Chegou no quarto e não sabia o que dizer. A mulher perguntou: que foi? Que cara é essa? E ele: não é nada não. Só vim ver vocês... minhas lindas. As duas se entreolharam, meio que desconfiaram mas acabaram por abraçar o sujeito, que também chorou. Pelo cantinho da porta, os assaltantes, decerto iniciantes, olhavam a cena. Eles também não sabiam o que fazer. Uma mistura de vergonha, medo e arrependimento os impedia de interferir na confraternização familiar. E aquela família que agora não se desgrudava, que inconveniência, pensavam aflitos. No fim, olharam um para o outro e unanimemente decidiram ir até a cozinha, desgrudar o liquidificador da tomada e leva-lo para casa. De qual dos dois não sabiam, eram inexperientes e não tinham pensado nem nisso. O importante era não sair de mãos abanando. Não eram mesmo feitos para aquilo.
Escrito por juliano às 23h32
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pensando no bbb
B é Beatriz, Betina, etc. BB é banco do brasil. BBB é big brother brasil. Engraçado é que o tal show da vida não é isso há muito tempo. Aquilo é mais cretino que novela mexicana, é super encenado, é mentira pura. E colocam a música certa pra persuadir o público, barulho de rabo de cascavel pra manipular as coisas, e por aí vai. É engraçado como hoje em dia todo mundo parece ser obrigado a ver o big brother brasil e a ter celular. Já me perguntaram muito mais vezes “qual” meu celular do que “se” tenho celular. Não tenho nem relógio, quanto mais, celular. Não tenho celular porque, por enquanto, não preciso muito. O que eu acho é que todo mundo devia tocar uma percussão, um violão, cantar, mesmo que se esforçando pra não errar, como eu. Também não tenho carro (aquele gol não é meu não), casa na praia, dvd (ainda!), entre outros produtos. Bicicleta eu tenho, mas ela ta pra arrumar faz um tempão... essa sim faz muita falta... deve perder só pra falta de tempo. BBB não tem graça e não faz falta nenhuma. Pelo menos pra mim.
Escrito por juliano às 23h26
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Sobre fatos
Há a idéia de que, se minha mãe morreu e eu ainda não sei, isso não é uma verdade para mim. É real que minha mãe morreu. É, sim, uma verdade, independente do meu conhecimento.
Há aquela citação que diz: “a verdade dói”. Essa frase diz que a verdade provoca dor a partir do momento que chega. O que há nesse intervalo entre o acontecimento e o seu respectivo conhecimento por parte de alguém é a ignorância. É como se uma verdade tivesse que ser sempre atualizada para receber, com dignidade e merecimento, o status de verdade. A verdade nasce com o acontecimento, isso é real: problema de quem ainda está na ignorância, pois essa pessoa está com seu conceito de verdade sobre algo ultrapassado, desatualizado.
Mas então sobre o que nós temos condições de estar a par, 24 horas por dia? Sobre nada, com exceção daquilo que passa pela nossa cabeça. Só isso. Conclusão: só possuímos, com segurança, a verdade sobre nossos pensamentos de agora. Tudo o mais já é mentira.
* É preciso fazer o discernimento entre a (eterna) ilusão de conhecimento e a verdade: a primeira é relativa, é preconceito; e a segunda é simplesmente real.
Escrito por juliano às 23h05
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mensagem para o partido de reedificação da ordem nacional
Dia desses eu entrei no site do Prona (partido de reedificação da ordem nacional), o partido do Enéas (meu nome é Enéééééaass!!). Um deputado desse partido propôs, há não muito tempo, que o beijo entre pessoas do mesmo sexo fosse classificado como contravenção...
Lá onde dizia "Envie sugestões", eu escrevi um negócio e imaginei qual a reação de um "Pronense", "proniano" ou "proneiro" ao lê-lo: "Sugiro que o povo suba ao poder e bagunce tudo. Sugiro que essas pessoas, então no poder, acabem com toda a estrutura do governo, com as leis e com as amarras retrógradas da moral. Sugiro que a igreja olhe para si e se recolha em algum monastério retirado da cidade. Sugiro que as bombas atômicas explodam nas mãos de seus donos. Sugiro que haja a revolução nos zoológicos: os animais vão fugir para a floresta e se alimentar dos direitistas conservadores que fugiram para lá quando a anarquia se instituiu!"
Escrito por juliano às 19h25
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naná
ontem vimos o NANÁ VASCONCELOS no teatro hsbc, em curitiba. não precisa dizer que tudo nele é incrível. de uma panela comum ele fez um cavaquinho. aquele jarro de vidro e seu som, sei lá, enigmático. ele tocando instrumentos que pareciam indígenas e outros mais, como o berimbau, que abriu e fechou o show. a voz dele era instrumento e também cantava letra. além de músico, naná é maestro. fez surgir da platéia encantada o uivo de um rio do amazonas acrescido do barulho da chuva. às vezes o show parecia aula de iniciação musical. em outra hora, mais pro final, acho, o maestro tirou da mesma platéia encantadíssima melodias lindas, fortíssimas. a melodia da parte esquerda do teatro complementava e era complementada pela do lado direito. o som tomou conta daquele espaço e de todas aquelas pessoas. e a gente com bolsa da viagem e mochila. eu de jaqueta e havaianas, pois esqueci o tênis em joinville... tudo bem. o importante ali era ter dois ouvidos funcionando.
Escrito por juliano às 10h14
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