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escrevendo no escuro
 


crente

Geralmente, o normal é o que acontece mais. Naturalmente. Normalmente, o natural é o que acontece geralmente.

 

Um pente quente se sente e se mente inconscientemente quando se bebe a aguardente.

 

Quem vende patente não sente que a gente, inconscientemente, é demente e contente e sem dente pra frente. Tente, tente, tente. Outra vez.

Escrito por juliano às 16h02
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Irmã - mana - Ana

Parece que é justamente quando estamos perfeitamente encaixados numa rotina que estamos fora da realidade e não percebemos algumas coisas importantes. Esses dias eu olhei para minha irmã e quase não a reconheci. Quem é essa mulher? O que ela é para mim? Qual minha real ligação com ela? Ela falava de outra coisa e eu ali, pensando nisso, distante daquele papo. Logo depois dessas autointerrogações, lembrei que ela é, de fato, uma irmã minha, mas que cresceu muito rápido. Virou mulher de uma hora para a outra, e eu não percebi. Ela tem 17 anos e às vezes parece – como nessa vez pareceu – que ela está anos-luz à frente do que eu penso dela.

Escrito por juliano às 15h55
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Diário de Marie Bashkirtseff, meus brinquedos e meus movimentos

Acabei de ler o prefácio e mais um pouquinho do “Diário de Marie Bashkirtseff”.

 

Ela que queria e sabia que seria estrela, que ficaria, de alguma forma, para a posteridade. Procurei coisas em comum entre nós. Suas bonecas eram sempre rainhas e reis. E os meus brinquedos? Lembro daquele onibuzinho que levava os “funcionários” (palavra que eu gostava de ficar pronunciando, exagerando no “f” e misturando com o “dos” = “dusffffuncionários”). O Comandos em Ação, onde o prazer era construir, arquitetar estratégias de combate. Pronta, a construção ficava tediosa. Acho que eu gostava mesmo era de visionar, projetar ousadas construções. Claro que o lego, então, fez parte da minha vida. E como fez! Eu queria muitas peças – eu tinha mesmo muitas, um balde – para poder fazer mais e mais, e sempre ter material de construção para qualquer idéia. Não achava lega construir algo para deixar parado, em exposição, cristalizado e intocável. Lego em exposição é ridículo! É até paradoxal. É como uma coleção de instrumentos pendurados na parede – todos desafinados, e o pior: quietos! Sempre me fascinaram as construções. Aliás, qualquer coisa poderosa me fascina de alguma forma – pessoas, construções. Isso me leva a ter um lado fã de pessoas, que acabo tomando como referência para os mínimos movimentos, o que me enche o saco de vez em quando.

Escrito por juliano às 15h49
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