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escrevendo no escuro
 


Calçadas para crianças e para adultos

Ao procurar pisar exatamente nos quadrados desenhados nas calçadas, coisa que adulto, a menos que seja louco, jamais faz, a criança está vendo coisas que o adulto não vê. O adulto está tão apressado e pouco observador que não olha para baixo, a menos que seja para raciocinar sobre outra coisa – jamais a calçada. Só a criança enxerga a amarelinha ali desenhada. Ela dá novo sentido à calçada.

Escrito por juliano às 22h21
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expelir-se

Dentro de mim, tem algo que quer vomitar-se, que quer expelir-se com violência e cegamente. Os olhos, os ouvidos, e tudo o que capta, alimenta essa coisa.

Estou feliz, empolgado. Subo e desço nos humores. E meus pavores às vezes me atormentam. Mas isso não acontece agora. Agora não tenho o medo da tetraplegia, da aids, do nódulo, do fim. Da imobilidade. Isso! Agora lembro que sou móvel, que ando, e que as possibilidades são muitas.

E as flores mortas sendo varridas mostram a renovação constante que é a vida.



Escrito por juliano às 15h02
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