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escrevendo no escuro
 


Há alguns álibis infalíveis utilizados cotidianamente por nós.

São aqueles "argumentos" que decretam os pontos finais de qualquer discussão; aquelas palavras que deixam o interlocutor sem resposta e com a pulga atrás da orelha, totalmente impotente. Ninguém concorda ou discorda: prefere tentar outro caminho ou então desistir e aceitar. Esse é o trunfo desses álibis, o que explica sua enorme popularidade. Fácil de usar, fácil de aceitar. Em cima da ignorância ou da preguiça, qualquer coisa mais rebuscada, nebulosa, com ar de superioridade (mesmo que oca), tem grandes chances de acabar com a discussão.

Joseph K., homem correto, viu o que é ficar impotente e não ter subsídios para reclamar. Morreu sem saber o porquê ou quem o julgava e condenava.

Exemplos do emprego desses eficientes álibis:

Na loja: infelizmente o sistema não aceita o seu CPF.
O professor para o aluno: O macho procura a fêmea por causa do instinto.
É o amor que mexe com a minha cabeça e me deixa assim.
Ele escreve bem porque tem talento.
Seu processo está nos trâmites da Justiça.
É questão de bom gosto.
Culpa da burocracia.
Ele é um burro mesmo.
É a inevitável globalização.

Escrito por juliano às 23h30
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