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BRASIL, Sul, JOINVILLE, Homem, de 20 a 25 anos



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escrevendo no escuro
 


Dicionário e seus caminhos

O dicionário é essencialmente hipertextual. Cada palavra leva a outra(s), e o caminho, apesar de não ser infinito, é do tamanho do vocabulário. Ou seja, imenso. Lembremos que a internet também é finita.

Escrito por juliano às 23h13
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REPORTAGEM: aceita-me

28 anelares adentraram alianças naquela tarde de sábado, 12 de agosto. Era um casamento comunitário, gratuito, organizado por uma paróquia de Joinville. Casa quase cheia: entre 350 e 400 pessoas, segundo números generosos do coordenador. Ele que chamou a imprensa.

Discurso do padre, mensagem de sempre. Chega a pergunta crucial, a última chamada, o momento da decisão: “aceita fulano?”. Marcelo aceitou Valquíria, Terezinha aceitou Júlio, Luiz aceitou Mireiler, Claudete aceitou Leonardo. Muitas maquininhas digitais perambulando na mão de parentes empolgados buscando o melhor ângulo. “É na mão esquerda, né, não esqueçam”, lembra o padre, que pede para todos mostrarem os anéis à platéia. Tudo sob o olhar sério de Jesus pintado, sobre o altar, em cuja imagem predominava o dourado.

A igreja não tinha grandes atrativos a oferecer, mas era limpinha. Luzes brancas. Teto reto, sem abóbadas. Mas com amplo estacionamento. Também sem grandes arranjos florais, apenas alguns obrigatórios. Dois veículos de imprensa fizeram suas matérias, um jornal impresso e uma tv.

Eram quatro filas de bancos de madeira, sem divisões para bundas, cada um com capacidade para umas seis pessoas não muito gordas. Cada fila com quinze bancos. Em média, os seis últimos de cada fila estavam vazios. Misturadas às falas do padre, falas de crianças. Às vezes, um e outro enchia o saco.

Chega a hora dos filhos dos noivos serem batizados – muitos já traziam filhos e viviam juntos há anos. O padre aproveitou o momento para mostrar seu repertório de brincadeiras sadias e para fazer importantes alertas. Aconselhou um bebê a não cair na água benta.

Gente não era pouca, e formou uma fila. Mas tudo transcorrendo mais ou menos nos trinques. A grande maioria dos parentes e amigos na platéia prestava atenção e levantava o pescocinho com um sorrisinho satisfeito para ver lá na frente de vez em quando. Mas atrás dos últimos bancos havia mais um lugar para sentar, junto à parede. Ali, quatro mulheres, uma menina de uns 3 anos e eu. Três dessas mulheres aproveitaram o encontro para botar a fofoca em dia, sem medir a voz. Na parte que consegui ouvir, falavam de preços de arranjos florais. Eu estava a um metro delas, de calça jeans, camisa pólo, prancheta e crachá. Mandei uma mensagem a uma amiga falando da experiência emocionante que eu passava. Não sei se alguém teve certeza que eu era um repórter. Achei que o coordenador da pastoral, o qual eu já havia entrevistado assim que cheguei, estranhou meu jeito solitário e compenetrado demais. Mas ignorei.

Eu ali, no banco junto à parede e as mulheres de meia idade e meia trocavam muitas informações, quase sem parar. Nas pausas, davam uma conferida lá na frente. Tudo certo. Nem o Pai Nosso, rezado de pé pela igreja inteira, após os batismos, foi mais interessante às conversadeiras. Mas as esperanças, quase mortas, voltaram a respirar quando, no meio da cerimônia, uma das senhoras saiu e, um metro antes de cruzar a porta, virou-se ao altar, flexionou o joelho e fez o sinal da cruz. O mundo não está perdido.

Escrito por juliano às 00h38
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De repente, mergulho numa situação gelatinosa. É tudo aquoso, devagar. A atenção fica com velocidade diferente. Tudo muda. Também é preciso atenção à discrição. Também vêm à frente do rosto uma realidade mais profunda, escondida, enterrada. Ela é exumada. É possível distraí-la, mas requer luta. Requer coragem, criatividade. Sobretudo, medo.

Escrito por juliano às 20h39
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Larica é prazerosa, mas pode ser perigosa. Comi demais antes de dormir e um tijolo se formou no meu estômago na manhã seguinte. Mas isso foi há alguns dias.

Vimos dois filmes ontem, no meu quarto. Eu, Elaine, Ana Luiza e Oriel. Coloquei uma televisão provisoriamente ali, só para ver os filmes. E vi que a televisão é uma companhia. Até mais interessante que um computador. Ainda mais na hora da preguiça. Hoje, sábado, fiquei na minha cama vendo desenho no SBT - tom e jerry, etc. Bem aconchegante. Algo um pouco mais próximo de morar sozinho, o que eu quero muito, mas não tenho grana.

Há até algum tempo, eu tinha a preocupação de ter motivo para morar sozinho. Mas isso é frescura. Não precisa justificar tudo. Acho que comecei a perceber isso quando soube dos 6 meses que a Elaine morou em Curitiba. Ela não foi para trabalhar nem para estudar. Foi por ir. Acho que essa nóia de tudo precisar de um porquê emperra as coisas. É uma nóia utilitarista. Assim como uma expressão artística não precisa da maldita "mensagem", várias outras situações dispensam justificativa. Isso é liberdade.

Este blog é um exemplo. Posso sempre evitar os clichês, mas não preciso dizer coisas úteis.



Escrito por juliano às 10h33
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Fôlego

Papel. Eu diferente trepado nele. Fogo. Às vezes tem na minha frente. Força. Quando piso firme. Música. Como essa. Porta. Ali para separar e proteger. Ignorar. Quando não se quer fugir do atual mundo. Fôlego. Eternamente. Música. Para a gente se descobrir. Cantar. Para soltar uma coisa invisível e chorar. Mais de alegria e fôlego. É revigor a música. É ar, vista boa, disposição para caminhar. É chorar de alegria. É saber que a vida é hoje e se encantar com a maravilha da realidade. E das vontades reveladas e admitidas. É se soltar. É minha história ali cantada.

Escrito por juliano às 21h36
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