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escrevendo no escuro
 


Dois alívios

Não tive mais dores de cabeça. Foi um alívio, me tranqüilizou. Não sei o que está acontecendo nas galerias labirínticas, mas, repito, estou mais tranqüilo.

A história de hoje não começa nem termina. Sem ter o que dizer, ela vai tentar engambelar. Apenas fazer linha, despistar, entreter, confundir, hipnotizar o leitor. Para esconder que é vazia. O escritor acha um exercício. Ele é ao mesmo tempo personagem e motivo do papo e criador do próprio papo. Às vezes cria uma terceira pessoa e deixa-a falar de si, acompanhando com satisfação os dizeres. Fica ali do lado, mas não precisa censurar porque confia no porta voz.

Mas e a história?, cobro eu para eu como escritor, em defesa do leitor. Mas não deixo de ser prudente e maneirar na profundidade para evitar situações indesejáveis.

Enfim, chego ao quarto parágrafo com a boa sensação do alívio, o mesmo sentimento ocorrido com a história da dor de cabeça. Alívio porque não preciso de história, e isso eu constatei aqui. Questiono há algum tempo a necessidade da realidade em páginas que amanhã vão morrer para assumir outras funções sociais bem distantes da original: embrulho de peixe, forro de chão de carro, patente de gato, cobertor de mendigo. Não é preconceito sobre elas. Tanto faz, o fato é que abandona a função original. E para compensarmos nossa dificuldade em traduzir, reproduzimos. E isso dói (pasta quem não pensa). Para ordenarmos, um a um, os caracteres, passamos por momentos bons ou ruins, molhados ou entediantes. As notícias diárias deveriam ser ficção baseada em realidade. Não tem valor a frase exata, as freqüentemente dispensáveis aspas. Muitas vezes vale o que vemos, e não o que ouvimos. Caricaturas dos fatos, e não tentativas de reproduções. Esse seria o jornal honesto. Uma charge é a notícia mais honesta do jornal.

Até que consegui pensar. Não foi bem o que planejei, mas saiu.

Escrito por juliano às 23h14
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Algo rigoroso são nossas ações durante o dia. Sem dúvida são, senão premeditadas, cuidadosamente executadas. Fazemos questão de nos penitenciar caso algo saia errado. Nunca é natural. Talvez isso sugira que os relacionamentos normalmente são dolorosos. O isolamento é discriminado. Há uma certa ordem previamente estabelecida. Namoro, faculdade, emprego, família, algum dinheiro, felicidade, sucesso, cabeça aberta. Alguns resultados dessa busca realmente valeram a pena. A tecnologia, a medicina. Mas também nos obrigou a alguns comportamentos.

Escrito por juliano às 00h00
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Muito bom:

http://www.youtube.com/watch?v=IwEP4HxZYt8

Escrito por juliano às 00h01
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The Hebe

Deve ter sido o pior programa que a Hebe já fez - hoje, 13/11/06. Confundiu o nome da menina atriz, perguntou a essa mesma garota sobre os antecedentes russos (mas eram poloneses) e despediu-se dos três entrevistados antes da hora. E no final do programa veio a coroação. Do nada, Hebe começa a fingir chorar implorando pela melhora da saúde de Nair Belo. A câmera nem aproximou seu rosto, como é praxe em momentos de fraqueza, pois captaria a ausência de lágrimas. Isso tudo alguns dias depois de dizer que queria dar para o Roberto Carlos.

Escrito por juliano às 23h35
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